O perigo de rotular um aluno antes de o compreender
- Rosário Ova

- 9 de abr.
- 2 min de leitura
Há crianças que chegam até mim já com um rótulo.

“Tem sempre a cabeça na lua.”
“É preguiçosa.”
“Tem falta de atenção.”
“Não se esforça.”
Muitas vezes, esse rótulo chega antes de compreendermos o que realmente está a acontecer.
O problema não é o rótulo em si, é quando ele passa a substituir a observação, a compreensão.
Quando dizemos que uma criança “está sempre com a cabeça na lua”, estamos a descrever um comportamento. Mas... raramente nos perguntamos o porquê.
O que está por trás dessa distração?

Dificuldade na leitura?
Insegurança?
Cansaço?
Medo de errar?
Desmotivação?
Tristeza?
Há crianças que parecem desinteressadas, mas estão cansadas de tentar sem sucesso, outras evitam tarefas porque já aprenderam que, quando tentam, erram.
Também há aquelas que se distraem… porque o esforço que lhes é pedido é demasiado exigente para o nível em que estão.
Enfim… as hipóteses de respostas são imensas e quando colocamos um rótulo cedo demais, corremos o risco de deixar de procurar entender a razão do comportamento e... limitamos a ajuda que podemos dar à criança que necessita de nós.
O adulto deixa de observar com curiosidade e começa a olhar com confirmação.
Tudo o que a criança faz passa a encaixar naquele rótulo, e ela sente isso!
Sente quando deixa de ser vista como alguém em processo… e passa a identificar-se com o rótulo.

É aqui que começa o verdadeiro perigo:
“Eu sou preguiçosa.”
“Eu sou desatenta.”
“Eu não consigo.”
As dificuldades existem e devem ser identificadas.
Mas, identificar não é rotular. Identificar é compreender, é observar com atenção, é dar nome ao que está a acontecer… depois de perceber.

Um rótulo fecha, a compreensão abre. E é essa abertura que nos permite ajudar de forma ajustada.
Porque quando percebemos o que está por trás do comportamento, deixamos de exigir mais do mesmo… e começamos a ensinar de outra forma, a utilizar outras estratégias adaptadas aquela criança.





Comentários