Quando dar o Melhor parece Insuficiente
- Rosário Ova

- 9 de jun.
- 3 min de leitura
Há professores que terminam o dia a perguntar-se se fizeram o suficiente, porque, apesar de todo o esforço, continuam a existir alunos que parecem cada vez mais distantes, mais desmotivados e mais inseguros.

E... talvez uma das partes menos faladas da profissão docente seja precisamente esta dúvida.
A dúvida silenciosa, que acompanha muitos professores, mesmo depois do dia de aulas terminar.
Nem sempre é possível chegar a todos
Quem vê uma sala de aula de fora vê um grupo de alunos, quem ensina vê algo muito diferente.

✔️Vê a criança que perdeu a confiança e já evita participar.
✔️Vê o aluno que acumula dificuldades e começa a acreditar que nunca será capaz.
✔️Vê quem precisa de mais atenção, mais tempo ou mais apoio do que aquele que a realidade permite oferecer.
E... é precisamente aí que surge uma das maiores frustrações da profissão.
Os professores sabem aquilo que determinadas crianças precisam, sabem que algumas beneficiariam de mais acompanhamento, de mais tempo, de estratégias diferentes ou simplesmente de alguém que pudesse estar verdadeiramente disponível para elas. Mas... saber nem sempre significa conseguir.
Quando a preocupação não desaparece ao fim do dia

Há crianças que ficam na memória dos professores muito depois da campainha tocar.
✔️Aquelas que parecem estar a desistir de si próprias.
✔️As que escondem dificuldades atrás de comportamentos desafiantes.
✔️As que chegam à escola já emocionalmente cansadas.
Muitos professores levam estas preocupações para casa.
Perguntam-se se disseram as palavras certas, se poderiam ter feito mais, se houve algum sinal que não conseguiram ver a tempo. Nem sempre encontram respostas, mas as perguntas permanecem.
A culpa que quase ninguém vê
Existe uma culpa silenciosa que acompanha muitos profissionais da educação. Não uma culpa racional, mas emocional.
A sensação de que deveria ter sido possível ajudar mais, de que aquela criança merecia mais atenção, de que aquele momento exigia uma resposta melhor.
Mesmo quando trabalham com dedicação, muitos professores vivem com a impressão de que estão constantemente em falta.
A realidade da escola exige respostas rápidas para necessidades que raramente são simples.
E... quando se trabalha diariamente com crianças, é difícil não sentir o peso de tudo aquilo que fica por fazer.
Entre o ideal e a realidade

A maioria dos professores entra na profissão porque acredita no valor da educação, acredita na possibilidade de ajudar crianças a crescer, aprender e ganhar confiança. Mas entre este ideal e a realidade existem limitações que nem sempre dependem de quem ensina.
✔️Turmas numerosas.
✔️Falta de tempo.
✔️Necessidades muito diferentes dentro da mesma sala.
✔️Processos que exigiriam um acompanhamento mais próximo do que aquele que é possível garantir.
Viver constantemente entre aquilo que se gostaria de fazer e aquilo que se consegue fazer é emocionalmente muito desgastante.
Não porque falte vontade, mas porque ninguém consegue multiplicar-se.
Uma nova perspetiva sobre os professores
Por vezes, fala-se dos professores como se fossem apenas responsáveis pelos resultados dos alunos. Mas, ensinar é trabalhar diariamente com pessoas, com emoções, com inseguranças, com histórias que entram na sala de aula sem pedir autorização. E... claro que os professores também têm dúvidas, também se preocupam, também se sentem frustrados e, também têm dias em que gostariam de conseguir fazer muito mais.
Reconhecer esta realidade não diminui a responsabilidade da profissão. Apenas nos lembra que por detrás de cada professor existe uma pessoa que continua a tentar, mesmo quando sente que não está a chegar tão longe quanto gostaria.





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