Escrever sem Medo de Errar
- Rosário Ova

- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de jul.
Aprender a escrever em português não é uma tarefa fácil.

Para muitas crianças, escrever uma frase pode significar tomar dezenas de pequenas decisões ao mesmo tempo: que letras utilizar, como organizar as palavras, onde colocar os acentos ou de que forma escrever corretamente aquilo que estão a pensar.
No meio de tantas exigências, é natural que os erros apareçam. Na verdade, seria estranho se não aparecessem.
No entanto, muitas crianças vivem a escrita com receio, antes de começarem a escrever, já estão preocupadas com aquilo que vão fazer mal. Algumas apagam constantemente o que escrevem, outras perguntam repetidamente se está correto.
Há ainda aquelas que evitam escrever sempre que podem, porque associam a escrita a frustração, correções e insegurança. E... quando o medo entra no processo, aprender torna-se muito mais difícil.
O erro faz parte da aprendizagem
Existe uma ideia muito presente na escola e até em casa, a ideia de que escrever bem significa não dar erros, mas a realidade é bem diferente.
A criança não aprende a escrever corretamente porque nunca erra, aprende precisamente porque erra, reflete sobre o erro e tem oportunidade de corrigi-lo.
Quando a criança escreve uma palavra incorreta, não significa necessariamente que não esteja a aprender, significa exatamente o contrário, está a testar hipóteses, a aplicar regras que conhece e a construir, pouco a pouco, o conhecimento ortográfico.
Cada erro é uma oportunidade de aprendizagem.
O problema surge quando a criança começa a acreditar que errar é sinal de incapacidade.
O medo bloqueia a escrita

Há crianças que sabem mais do que conseguem mostrar no papel, o medo de errar é tão grande que acaba por bloquear a escrita, escrevem menos, arriscam menos palavras, escolhem frases mais simples, evitam utilizar vocabulário novo. Algumas chegam mesmo a dizer: "Não sei escrever", quando, na realidade, o que sentem é medo de falhar. E... quanto menos escrevem, menos oportunidades têm para aprender.
A escrita desenvolve-se através da prática, da experimentação e da confiança.
✅A criança que escreve sem medo arrisca, tenta, corrige e progride.
✅A criança que escreve com medo preocupa-se mais em evitar o erro do que em comunicar aquilo que pensa.
Corrigir também é ensinar
Quando um professor corrige um texto, não está apenas a assinalar erros, está a ensinar. Cada correção é uma oportunidade para a criança compreender melhor a língua e construir novos conhecimentos. Mas, para que isso aconteça, é importante que a criança sinta que a correção não é uma crítica ao seu valor ou às suas capacidades.
O erro não define a criança.
O erro apenas mostra aquilo que ainda está em processo de aprendizagem.
Quando a criança percebe esta diferença, a relação com a escrita muda profundamente, deixa de escrever para evitar erros e começa a escrever para aprender.
A confiança também se aprende
Tal como a leitura e a ortografia, a confiança constrói-se.
Constrói-se quando os adultos:
valorizam o esforço e não apenas o resultado.
reconhecem os progressos, por mais pequenos que sejam.
mostram que aprender implica tentar muitas vezes antes de conseguir.
Escrever é pensar, experimentar, arriscar e aprender. E... aprender implica errar.





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